Tel: (+55 61) 3322-3356 - institutolumiart@gmail.com

PROJETO NOTA 10

Projeto usa arte para mudar histórias de vida e gerar oportunidades.

Jovens superam dificuldades sociais e viram referência positiva nas comunidades onde atuam

O contato com o crime ou a possibilidade de viver uma vida na marginalidade marcou as vidas de quatro jovens das regiões de periferia do DF, mas não o suficiente para tirar sua dignidade e vontade de lutar pelos seus sonhos. É o que contam Eduardo, Lucas, Nest e Robert, ativistas sociais que trabalham juntos em um projeto sociocultural de prevenção ao uso de drogas e à violência.

Para os jovens, não tem sido simples construir uma vida digna e se inserir no mercado de trabalho, realidade comum entre a maioria dos egressos do sistema prisional e de unidades de internação socioeducativas. “Há muito preconceito, represália, falta de oportunidade e apoio da sociedade”, questiona Robert.

Do crime para a arte

A criminalidade entrou para a sua vida desde os 14 anos, relata Robert. Chegou a ser ameaçado de morte por gangues rivais e ser detido várias vezes no Ciops (Centro Integrado de Operações de Segurança). Por ser bem conhecido entre os policiais que faziam ronda em seu bairro, foi levado por eles a conhecer um projeto social que estava mudando a vida de muitos jovens na sua comunidade. “Os professores acreditavam na gente e nos respeitavam muito, era como fazer parte de uma grande família”.

Hoje, com 22 anos, Robert reconhece a importância da arte na mudança da sua vida. “Comecei a fazer aula de teatro, capoeira e percussão no Projeto Nota 10. Foi a partir aí que eu percebi que a minha vida poderia ser diferente, que eu poderia viver muita coisa bonita. Se não fosse o apoio do projeto, dificilmente eu teria conseguido mudar minha história”, conta o jovem, que hoje atua como auxiliar de monitoria na oficina de grafite do projeto.

Com Eduardo, 33 anos, não foi diferente. O teatro ajudou a reduzir sua pena em regime fechado de 20 para 6 anos e 5 meses. “A porta da oportunidade se abriu com o teatro. Me trouxe esperança e encheu meu coração de força. Através da arte pude sair do inferno”. E foi além. “Me tornei professor de teatro em alguns projetos sociais, onde pude contribuir salvando vários adolescentes com o relato da minha história pessoal. O teatro não salvou só a minha vida, mas vem salvando a de muitos outros jovens também”, conta.

Hoje Eduardo é monitor de teatro do Projeto Nota 10 e sonha em continuar ajudando outros jovens a sair da vida do crime. “Quero levar minha história para o maior número de pessoas possíveis. Quero mostrar que todos são capazes de se superar e que precisam acreditar que vale a pena tentar de novo, buscar uma segunda chance”.

Conheça o projeto

Projeto usa arte para mudar histórias de vida e gerar oportunidades.

Jovens superam dificuldades sociais e viram referência positiva nas comunidades onde atuam

O Projeto Nota 10 consiste em uma série de atividades socioculturais que buscam a prevenção ao uso de drogas e à violência, socialização, ressocialização e capacitação profissional. Por meio da arte-educação realiza oficinas artísticas e profissionalizantes de Percussão, Circo, Teatro, Hip Hop, Grafite, Capoeira, Cinema, Beleza, Audiovisual, Fotografia e Empreendedorismo.

O projeto atende crianças a partir dos oito anos de idade, adolescentes, jovens e adultos que se encontram em situação de vulnerabilidade social, com histórico pessoal de dificuldades relacionais ao meio familiar e comunitário, egressos de medidas socioeducativas e do sistema prisional.

Foi em 2007, quando a cineasta pernambucana radicada em Brasília, Nubia Santana, produzia o documentário Pra ficar de boa, que mostra o cotidiano de crianças e adolescentes marginalizados do DF e Entorno, que surgiu a sementinha do Projeto. “Durante as gravações os jovens me pediam ajuda para mudar de vida. Não podia mais dormir tranquila pensando na situação de descaso em que se encontravam. Precisava fazer algo a mais”, lembra.

Em 2009, o Projeto saiu do papel e desde então vem envolvendo mais de 400 pessoas em várias regiões administrativas do DF e entorno. Já desenvolveu atividades em Riacho Fundo I e, atualmente, possui grupos artísticos ativos e oferece gratuitamente oficinas em Samambaia, Águas Lindas de Goiás e Planaltina.

Mas não pára por aí. Segundo o coordenador do Projeto, a ideia é ampliar as ações para todo o DF e, para isso, segue em busca de patrocínios e parcerias para realizar o grande objetivo do projeto: tirar 100 meninos e meninas do mundo do crime. “Queremos promover a revolução das oportunidades e dar continuidade à transformação promovida pela arte, inserindo esses jovens no mercado de trabalho. Acreditamos que dessa forma estaremos colaborando com a diminuição da violência e a construção de um mundo melhor”, defende Ricardo.